Os avanços no conhecimento científico acerca dos benefícios dos antirretrovirais (ARV) para a prevenção do VIH expandiram o leque de ferramentas disponíveis, nomeadamente a profilaxia pré-exposição (PrEP, do inglês Pre-exposure prophylaxis) e o tratamento como prevenção (TasP, do inglês Treatment as Prevention), redefinindo práticas de sexo seguro, particularmente entre homens gays, bissexuais e outros homens que têm sexo com homens (GBHSH). Por um lado, a PrEP – quando usada de forma efetiva – reduz para níveis insignificantes o risco de aquisição de VIH; por outro, o risco de transmissão da infeção por pessoas a viver com VIH em tratamento eficaz também é negligenciável. Apesar destes progressos, a epidemia de VIH continua a ser um problema de saúde pública. As novas infeções não estão a diminuir suficientemente rápido para atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de eliminar a SIDA como um problema de saúde pública até 2030.

Este projeto de investigação longitudinal pretende analisar como a prevenção do VIH está incorporada e é expressa nas políticas, cuidados de saúde e intervenções ao nível da comunidade, assim como o conhecimento e a adesão ao nível individual, e as tendências de incidência de VIH na Europa, com foco nos GBHSH.

Serão considerados fatores estruturais de cada país, como leis e políticas para minorias sexuais e de género, estigma relacionado com o VIH e a PrEP, igualdade de género, tipologia do sistema de saúde e equidade em saúde.

O projeto permitirá estudar os impactos das inovações em prevenção, quanto às intervenções implementadas e as escolhas individuais, identificar subgrupos que podem estar a ser deixados para trás e informar estratégias ótimas para reduzir a incidência de VIH rumo à eliminação (“getting to zero”).

Ao reconhecer desigualdades, os resultados vão contribuir para maximizar os benefícios da PrEP e do TasP, incluindo tecnologias antirretrovirais (ARV) emergentes, e também informar a prevenção de outras infeções sexualmente transmissíveis (ISTs), e estratégias profiláticas para ISTs bacterianas.